terça-feira, 24 de outubro de 2017

ARGUMENTO COSMOLÓGICO DE KALAN E DA CONTINGÊNCIA DE LEIBINIZ


O argumento cosmológico de Kalan é:
1. Tudo que passa a existir tem uma causa
2. O Universo passou a existir
3. Por tanto, o Universo tem uma causa
Essa causa primeira, é chamada de O Motor Imóvel. Originalmente um conceito aristotélico que pretende demonstrar racionalmente a existência de um princípio supremo da natureza:
Com efeito, o princípio e o primeiro dos seres é imóvel tanto em si mesmo quanto acidentalmente, mas produz o movimento primeiro eterno e único. E, posto que todo movido é, necessariamente, movido por algo, o primeiro motor é necessariamente imóvel em si, e o movimento eterno tem de ser produzido por algo eterno, e o movimento único por algo uno. 
(ARISTÓTELES, 2006,1072 a, 25-36)

Uma boa analogia ilustrativa ao argumento é a do efeito dominó. E a utilizarei para "completar" o argumento acima com o Argumento de Contingência de Leibniz:
4. Tudo que passa a existir tem uma causa necessária.
5. ‎O Universo passou a existir
6. ‎Por tanto, o Universo tem uma causa necessária.
Tanto intuitiva quanto dedutivamente, temos boas razoes para pensar que "tudo que passa a existir tem uma causa." Aquilo que passa a existir, é lhe dado o atributo de "contingência", ou seja, tudo que é contingente depende da existência de algo necessário, que por sua vez, é aquilo que requer uma existência auto-justificada.

Os dominós não estão caindo desde sempre, eles tiveram uma causa. Esta causa, a primeira peça de dominó, é o que chamo de objeto necessário(na realidade, talvez um objeto abstrato, como números). 

7. Objetos necessários criam somente condições necessárias
8. ‎Um Ser necessário, pode criar tanto o objeto quanto uma condição necessária.
Apesar das peças estarem caindo porém, foi necessária uma condição para que elas caíssem: uma distância mínima para que elas tenham algum contato. Isso é uma condição necessária

9. Deus é um Ser necessário
10. ‎Por tanto, Deus é a causa necessária do Universo.


Na analogia, houve uma primeira peça(objeto) necessária, que seguiu uma condição necessária. Mas para o objeto necessário realmente ter caído foi necessária a ação de uma causa externa a ele, por exemplo, uma mão (esta mão é a representatividade de um Ser necessário). Um objeto, não pode seguir uma condição(cair) por desejo próprio.

Existe uma propriedade chamada Asseidade Divina
Asseidade é a propriedade pela qual um ser existe em si mesmo, de si mesmo, ou existe como tal e tal de e para si mesmo. 
A asseidade tem dois aspectos, o primeiro é independência absoluta e auto-existência, sendo Deus não-causado, dependendo de nenhum outro ser para a fonte de Sua existência; o segundo é que Deus é completamente auto-suficiente, tendo em si mesmo o motivo suficiente para sua própria existência. vemos isso claramente nas Escrituras dado o nome próprio de Deus "Yahweh" (sou o que sou: Êxodo 3:14 ).  
Gilberto Santos
Alem de:
Os deuses orientais são infinitos por definição, na acepção de que tudo abarcam- tanto o bem como o mal-, mas não são pessoais. Os deuses ocidentais eram pessoais, mas muito limitados. Os deuses teutões, romanos, gregos eram todos do mesmo tipo: pessoais, mas não infinitos.

O Deus da fé cristã, o Deus da Bíblia, é pessoal e infinito.
 
A morte da razão, página 31. De Francis Schaeffer.
Com isto em mente, temos boas razões para pensar que Deus seja o Criador do Universo.

O ARGUMENTO:
1. Tudo que passa a existir tem uma causa. 
2. O Universo passou a existir. 
3. Por tanto, o Universo tem uma causa. 
4. Tudo que passa a existir tem uma causa necessária. 
5. ‎O Universo passou a existir. 
6. ‎Por tanto, o Universo tem uma causa necessária. 
7. Objetos necessários criam somente Condições necessárias. 
8. ‎Um Ser necessário, pode criar tanto o objeto quanto uma condição necessária. 
9. Deus é um Ser necessário. 
10. ‎Por tanto, Deus é a causa necessária do Universo.


IMPLICAÇÕES:

• EVOLUCIONISMO TEÍSTA

1- Na analogia, o Universo são as peças de dominó, e Deus é a mão que inicia o processo que desencadeia o efeito. Porém, as peças não estiveram ali para sempre, alguém teve que estabelecer, criar, os objetos necessários e as condições necessárias. Em outras palavras, Deus criou as peças, o Universo com suas propriedades, e suas leis naturais com suas condições, e após estabelece-las desencadeou o processo.

E isso entra em acordo com o pensamento de Santo Agostinho de Hipona. Alister McGrath em seu livro "Deus e Darwin"(pág. 234) escreve: 
Uma da ideias mais importantes desenvolvidas neste comentário(De Agostinho: Genesi ad litteram) é de que a ação instantânea da criação de Deus ex nihilo não deve ser compreendida como limitada ao ato primordial de criação, mas abarca tanto a criação do mundo quanto a direção dos desdobramentos subsequentes e o desenvolvimento de "razões seminais"(rationes seminales ou rationes causales) inerente à ordem criada no ato de criação de Deus.
O argumento essencial de Agostinho é de que Deus criara o mundo, de forma completa com uma série de potências múltiplas latentes, as quais se concretizam no futuro por meio da providência divina. Enquanto alguns poderiam conceber a criação, em termos da inserção por parte de Deus, de novos tipos de plantas e animais já prontos, de uma forma instantânea, no mundo pré-existente, Agostinho rejeita essa ideia como algo inconsistente com o testemunho geral fornecido pelas Escrituras. Na verdade, Deus deve ser concebido como tendo criado, naquele primeiro momento, as potencialidades para todos os tipos de seres vivos que surgiram posteriormente, incluindo a humanidade. 
Santo Agostinho ilustra seu pensamento com uma analogia ao desenvolvimento de uma arvore:

Assim, na semente, estava presente, de forma invisível, tudo aquilo que se desenvolveria com o tempo numa árvore. E precisamos ver o mundo da mesma forma, quando Deus fez todas as coisas, como tendo criado todas as coisas nele e com ele. Isso inclui também os seres que a terra produzira potencialmente e de forma causal (potentialiter at que causaliter), antes que eles surgissem com o passar do tempo. 

2. Para que as peças possam cair, deve cada peça estar a uma distância mínima uma da outra. Mas esta distância pode variar tanto para menor quanto para maior distância, que poderia representar, por exemplo, que não importa quais rumos tivessem tomado a evolução biológica, o Homem tinha que surgir.
eu vejo a mão de Deus trabalhando através dos mecanismo da evolução. Se Deus escolheu criar seres humanos a sua imagem e decidiu que os mecanismo da evolução fossem um elegante modo de cumprir esse objetivo, quem somos nós para dizer que não foi assim? 
Francis Collins

MILAGRES

 As condições existentes no Universo, são as leis naturais, elas operam dentro da lógica.
Neste texto, defendi que milagres operam por fenômenos naturais, mais especificadamente, um conjunto de fenômenos naturais para formar uma situação: milagre é um conjunto de fatalidades a formar um fenômeno natural que, por desconhecimento, nos é improvável.

Deus opera os milagres com sua onipotência dentro da lógica, reorganizando objetos necessários para realizar a condição necessária do feito milagroso.
Ser Necessário (Onipotência) > Objeto Necessário (Fenômenos Naturais) > Condição Necessária (milagres)

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