sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A EVOLUÇÃO, POR FRANCIS COLLINS


Trecho retirado do livro A Linguagem de Deus de Francis Collins onde ele mostra evidências genéticas para a Teoria da Evolução Biológica de Darwin-Wallace.
“Livros inteiros foram escritos sobre o Projeto Genoma Humano (provavelmente muitos, de fato). Talvez eu escreva o meu próprio algum dia, esperançosamente com retrospectiva suficiente para evitar alguns dos pronunciamentos esbaforidos de muitas das atuais representações populares. Não é o propósito deste livro, no entanto, alongar-se mais nessa experiência notável, mas refletir sobre os caminhos nos quais uma compreensão moderna da ciência pode ser harmonizada com uma crença em Deus. 

A esse respeito, é interessante olhar com cuidado o genoma da humanidade, e compará-lo com os genomas de muitos outros organismos que foram agora sequenciados. Quando nós pesquisamos a vasta extensão do genoma humano, 3,1 bilhão de letras do código de DNA arranjam-se sobre vinte e quatro cromossomos, muitas surpresas são imediatamente aparentes. 

Outra característica marcante do genoma humano vem da comparação de diferentes membros da nossa própria espécie. Ao nível do DNA, somos todos 99,9% idênticos. Essa semelhança aplica-se independentemente de quais dois indivíduos de todo o mundo você escolhe comparar. Assim, pela análise de DNA, nós humanos somos verdadeiramente parte de uma família. Esta notável baixa diversidade genética nos distingue da maioria das outras espécies no planeta, onde a quantidade de diversidade do DNA é dez ou, às vezes, até cinquenta vezes maior que a nossa. 

Geneticistas populacionais, cuja disciplina envolve o uso de ferramentas matemáticas para reconstruir a história das populações de animais, plantas, ou bactérias, olham para estes fatos sobre o genoma humano e concluem que eles apontam que todos os membros da nossa espécie descenderam de um conjunto comum de fundadores, aproximadamente 10 mil em número, que viveram cerca de 100 mil a 150 mil anos atrás. Esta informação se adequa bem com o registro fóssil, que por sua vez coloca o local daqueles ancestrais fundadores provavelmente na África Oriental. 

Outra consequência profundamente interessante do estudo de genomas múltiplos foi a habilidade de fazer comparações detalhadas de nossa própria sequência de DNA com a de outros organismos. Usando um computador, pode-se pegar um certo trecho do DNA humano e avaliar se há uma sequência semelhante em alguma outra espécie. Se alguém pega a região codificadora do gene humano (isto é, a parte que contém as instruções para uma proteína), e usa-a para a pesquisa, haverá quase sempre uma correspondência altamente significativa aos genomas de outros mamíferos. Muitos genes se mostrarão discerníveis, mas imperfeitos correspondentes aos peixes. Alguns até encontrarão correspondentes aos genomas de organismos mais simples, tais como moscas de frutas e parasitas intestinais. Em alguns exemplos particularmente marcantes, a semelhança se estenderá por todo o caminho aos genes em levedura e até às bactérias. 

Se, por outro lado, alguém escolhe um pedaço do DNA humano que se encontra entre genes, então a possibilidade de encontrar uma sequência semelhante nos genomas de organismos distantemente relacionados diminui. Não desaparece inteiramente; com uma pesquisa cuidadosa de computador, cerca de metade de tais fragmentos pode ser alinhada com outros genomas de mamíferos, e quase todos eles alinham-se bem com o DNA de outros primatas não-humanos. A tabela 5.1¹ mostra as porcentagens do sucesso deste tipo de combinação, dividida em várias categorias. 
Tabela 5.1: Probabilidade de encontrar uma sequência de DNA semelhante no genoma de outros organismos, começando com uma sequência de DNA humano.

O que tudo isto significa? Em dois níveis diferentes, fornece poderoso apoio para a teoria da evolução de Darwin, isto é, descendência de um ancestral comum com seleção natural operando em variações aleatórias. Ao nível do genoma como um todo, um computador pode construir uma árvore da vida baseado unicamente nas semelhanças das sequências de DNA de múltiplos organismos. O resultado é mostrado na Figura 5.1.
Figura 5.1: Nesta página há uma visão atual da árvore da vida, onde as relações entre as diferentes espécies mamíferas são inferidas unicamente por uma comparação de suas sequências de DNA. O comprimento dos ramos representa o grau de diferença entre espécies – deste modo, as sequências de DNA do camundongo e do rato são mais aproximadamente relacionadas do que as do camundongo e do esquilo, e as sequências de DNA do humano e do chimpanzé mais próximas do que as do humano e do macaco.


Tenha em mente que esta página não utiliza nenhuma informação dos registros fósseis, ou de observações anatômicas de formas de vida atuais. Ainda esta semelhança às conclusões tiradas de estudos de anatomia comparativa, ambos de organismos existentes e de restos fossilizados, é marcante. Segundo: dentro do genoma, a teoria de Darwin prediz que mutações que não afetam função (a saber, aquelas localizadas no “DNA-lixo”) vão se acumular de forma constante ao longo do tempo. Mutações na região codificadora dos genes, no entanto, deverão ser observadas com menos frequência, uma vez que a maioria será deletéria, e apenas um raro evento vai providenciar uma vantagem seletiva e ser retido durante o processo evolutivo. Isso é exatamente o que é observado. 

Este último fenômeno até aplica-se aos finos detalhes das regiões codificadoras de genes. Do capítulo anterior, você pode recordar-se de que o código genético é degenerado: por exemplo, GAA e GAG, ambos códigos para ácido glutâmico. Isso significa que é possível para algumas mutações na região codificadora estarem “silenciosas”, onde o aminoácido codificado não é alterado pela mudança, e então nenhuma pena é paga. Quando compara-se sequências de DNA de espécies relacionadas, diferenças silenciosas são muito mais comuns nas regiões codificadoras do que aquelas que alteram um aminoácido. É exatamente o que a teoria de Darwin prediria. Se, como alguns podem argumentar, estes genomas foram criados por atos individuais de criação especial, porque esta característica particular apareceria? 

Charles Darwin eram intensamente inseguro sobre sua teoria da evolução. Talvez isso seja responsável pelos quase vinte e cinco anos que se passaram entre o desenvolvimento da ideia e a publicação de “A origem das espécies”. Deve ter havido muitas vezes nas quais Darwin desejasse poder voltar milhões de anos no tempo e realmente observar todos os eventos que sua teoria previu. Claro que ele não poderia fazer isso, e nós também não podemos fazer hoje. 

Mas faltando uma máquina do tempo, Darwin dificilmente poderia ter imaginado uma demonstração digital mais convincente de sua teoria do que a que nós encontramos estudando o DNA de organismos múltiplos.
Em meados do século XIX, Darwin não tinha como saber o que seria o mecanismo de evolução por seleção natural. Nós agora podemos ver que a variação que ele postulou é apoiada por mutações naturais no DNA. Estas são estimadas a ocorrer a uma taxa de cerca de um erro a cada 100 milhões de pares de bases por geração. (Isso significa, a propósito, que desde que todos temos dois genomas com 3 bilhões de pares de base cada, um de nossa mãe e um de nosso pai, todos temos cerca de sessenta novas mutações que não foram presentes em nenhum dos nossos pais.) 

A maioria daquelas mutações ocorre em partes do genoma que não são essenciais, e portanto elas têm pequena ou nenhuma consequência. Aquelas que caem nas partes mais vulneráveis são geralmente nocivas, e são assim rapidamente abatidas da população porque elas reduzem a capacidade reprodutiva. Mas em raras ocasiões, uma mutação vai surgir por acaso que ofereça um leve grau de vantagem seletiva. Essa nova “ortografia” do DNA terá uma possibilidade levemente maior de ser passada para futura descendência. Ao longo de um período muito longo de tempo, tais raros eventos favoráveis podem se tornar muito difundidos em todos os membros da espécie, por fim resultando em grandes alterações na função biológica. 

Em algumas instâncias, cientistas estão até capturando a evolução no flagrante, agora que temos as ferramentas para rastrear estes eventos. Alguns críticos do Darwinismo gostam de argumentar que não há evidência da “macroevolução” (isto é, grande alteração na espécie) no registro fóssil, apenas de “microevolução” (mudança incremental dentro de uma espécie). Temos visto bicos de tentilhões mudarem de forma ao longo do tempo, eles argumentam, dependendo da mudança das fontes de alimento, mas não temos visto novas espécies surgirem. Esta distinção é cada vez mais vista como artificial. 

Desde o tempo de Darwin, pessoas de muitas cosmovisões diferentes foram particularmente motivadas a entender como revelações sobre biologia e evolução se aplicam a essa classe especial de animais, os seres humanos. O estudo dos genomas leva inexoravelmente à conclusão de que nós humanos partilhamos um ancestral comum com outros seres vivos. Algumas dessas evidências são mostradas na Tabela 5.1, onde a semelhança entre nossos genomas e os de outros organismos é exibida. Esta evidência sozinha, é claro, não prova um ancestral comum; da perspectiva de um criacionista, tais semelhanças poderiam simplesmente demonstrar que Deus usou princípios de design de sucesso repetidas vezes. Como devemos ver, no entanto, e como foi prefigurado acima pela discussão das mutações “silenciosas” em regiões codificadoras de proteína, o estudo detalhado dos genomas tornou essa interpretação praticamente insustentável – não só sobre todos os seres vivos, mas também sobre nós mesmos. 

Como um primeiro exemplo, vamos olhar para uma comparação dos genomas do humano e do camundongo, ambos os quais foram determinados à alta precisão. O tamanho total dos dois genomas é grosseiramente o mesmo, e o inventário de genes codificadores de proteína é notavelmente parecido. Mas outros sinais inequívocos de um ancestral comum rapidamente aparecem quando alguém olha os detalhes. Por exemplo, a ordem dos genes ao longo dos cromossomos humanos e do rato é geralmente mantida ao longo de extensões consideráveis de DNA. Assim, se encontro genes humanos A, B e C nessa ordem, é provável descobrir que os do camundongo têm homólogos de A, B e C também colocados nessa mesma ordem, apesar de o espaçamento entre os genes ter variado um pouco (Figura 5.2).
Figura 5.2: A ordem dos genes ao longo de um cromossomo é frequentemente a mesma em humanos e camundongos, apesar de que o espaçamento preciso entre os genes pode variar um pouco. Assim, se você encontra a ordem dos genes como A, B e C ao longo do cromossomo humano, provavelmente encontrará os homólogos do camundongo dos genes A, B e C na mesma ordem no cromossomo do camundongo. Além disso, agora que as sequências completas do genoma de ambos humanos e camundongos estão disponíveis, é possível identificar nos espaços entre genes os remanescentes de muitos “genes saltadores”. Estes são elementos transponíveis que podem se inserir aleatoriamente no genoma, e até continuam a fazê-lo em um baixo nível hoje. Pela análise da sequência de DNA, alguns destes elementos adquiriram muitas mutações comparados ao gene saltador original, e assim parecem ser muito velhos; estes são referidos como elementos repetitivos antigos (ERAs). Curiosamente, estes elementos antigos são frequentemente encontrados em locais semelhantes nos genomas do camundongo e do humano (como neste exemplo, onde um ERA está presente entre o gene A e o gene B em ambos humano e camundongo). Particularmente interessantes são os exemplos onde o ERA foi truncado em um par de bases preciso no momento da inserção, perdendo parte de sua sequência de DNA e todas as possibilidades de função futura (como no exemplo entre o gene B e o gene C). Encontrar um ERA precisamente truncado no mesmo lugar de ambos genomas do homem e do camundongo é uma evidência convincente que este evento de inserção deve ter ocorrido em uma ancestral que era comum a ambos humano e camundongo. Em algumas instâncias, esta correlação estende-se ao longo de distâncias consideráveis; praticamente todos os genes no cromossomo 17 do homem, por exemplo, são encontrados no cromossomo 11 do camundongo. Embora se possa argumentar que a ordem dos genes é fundamental para que sua função ocorra corretamente, e, portanto, um designer pode ter mantido essa ordem em vários atos de criação especial, não há evidência da compreensão atual da biologia molecular de que essa restrição precisaria aplicar-se sobre tais distâncias cromossômicas consideráveis.


Uma evidência até mais convincente de um ancestral comum vem do estudo do que são conhecidos como elementos repetitivos antigos (ERAs). Estes surgem dos “genes saltadores”, que são capazes de copiar e inserir-se em diversos outros locais no genoma, geralmente sem consequências funcionais. Genomas de mamíferos estão repletos de tais ERAs, com cerca de 45% do genoma humano feito destes destroços genéticos. Quando alguém alinha seções dos genomas do homem e do camundongo, ancorado pelo aparecimento de homólogos de genes que ocorrem na mesma ordem, pode-se geralmente também identificar ERAs aproximadamente na mesma localização nestes dois genomas (Figura 5.2). 

Alguns destes podem ter se perdido em uma espécie ou outra, mas muitos deles permanecem em uma posição que é mais consistente com o ter chegado no genoma de um ancestral comum de mamíferos, e terem sido levados desde então. Claro, alguns podem argumentar que estes são na verdade elementos funcionais colocados lá pelo Criador por uma boa razão, e que nosso desconto deles como “DNA-lixo” apenas trai nosso atual nível de ignorância. E de fato, uma pequena fração deles pode desempenhar importantes papéis reguladores. 

Mas certos exemplos severamente esforçam a credulidade dessa explicação. O processo de transposição frequentemente danifica o gene saltador. Há ERAs ao longo dos genomas do homem e do camundongo que foram truncados quando chegaram, removendo qualquer possibilidade de funcionamento. Em muitos casos, pode-se identificar um ERA decapitado e totalmente extinto em posições paralelas no genoma humano e do camundongo (Figura 5.2). 

A menos que se esteja disposto a assumir a posição de que Deus colocou esses ERAs decapitados nestes lugares precisos para confundir-nos e enganar-nos, a conclusão de um ancestral comum para humanos e camundongos é praticamente inevitável. Este tipo de dados recentes do genoma assim apresenta um desafio esmagador para aqueles que mantêm a ideia de que todas as espécies foram criadas ex nihilo. 

O lugar dos humanos na árvore da vida evolutiva é apenas reforçado por uma comparação com nosso parente vivo mais próximo, o chimpanzé. A sequência do genoma do chimpanzé agora foi revelada, e revela que humanos e chimpanzés são 96% idênticos no nível do DNA. 

Outro exemplo desta relação próxima se origina do exame da anatomia dos cromossomos humanos e do chimpanzé. Cromossomos são a manifestação visível do genoma do DNA, aparentes no microscópio de luz no momento em que a célula se divide. Cada cromossomo contém centenas de genes. A figura 5.3 mostra uma comparação dos cromossomos entre um humano e um chimpanzé.

Figura 5.3: Os cromossomos do homem e do chimpanzé, ou “cariótipos”. Note a acentuada semelhança em tamanho e número, com uma exceção notável: o cromossomo humano 2 parece ser feito de uma fusão cabeça-a-cabeça de cromossomos de tamanho intermédio do chimpanzé (aqui classificados como 2A e 2B).

O homem tem 23 pares de cromossomos, mas o chimpanzé tem 24. A diferença no número de cromossomos parece ser a consequência de dois cromossomos ancestrais fundidos para gerar o cromossomo humano 2. Que o do homem pode ser uma fusão é sugerido ao estudar o gorila e orangotango – cada um tem 24 pares de cromossomos, muito parecidos com o chimpanzé.
Recentemente, com a determinação da sequência completa do genoma humano, tornou-se possível olhar para a localização precisa onde esta proposta fusão cromossômica deve ter acontecido. A sequência neste local – ao longo do braço longo do cromossomo 2 – é verdadeiramente notável. Sem entrar nos detalhes técnicos, deixe-me dizer que as sequências especiais ocorrem nas pontas dos cromossomos de todos os primatas. Essas sequências geralmente não ocorrem em outro lugar. Mas são encontradas exatamente onde a evolução previria, no meio do nosso segundo cromossomo fundido. A fusão que ocorreu quando evoluímos dos macacos deixou sua marca de DNA aqui. É muito difícil entender esta observação sem postular um ancestral comum. 

Ainda outro argumento para a ascendência comum de chimpanzés e humanos vem da observação peculiar do que são chamados pseudogenes. Esses são genes que têm quase todas as propriedades de um pacote de instruções do DNA funcional, mas são atingidos por uma ou mais falhas que transformam seu script em linguagem sem nexo. Quando compara-se o chimpanzé e o humano, genes ocasionais parecem ser claramente funcionais em uma espécie mas não em outra, porque adquiriram uma ou mais mutações deletérias. O gene humano conhecido como Caspase-12, por exemplo, sustentou vários golpes de nocaute, apesar de ser encontrado na localização relativa idêntica no chimpanzé. O gene Caspase-12 do chimpanzé funciona bem, assim como o gene semelhante em quase todos os mamíferos, inclusive os camundongos. Se os humanos surgiram como uma consequência de um ato sobrenatural de criação especial, porque Deus se daria ao trabalho de inserir tal gene não-funcional neste local preciso? 

Nós podemos também agora começar a explicar as origens de uma pequena fração das diferenças mais mecânicas entre nós e nossos parentes mais próximos, algumas delas que podem desempenhar papéis cruciais em nossa humanidade. Em um exemplo, um gene para a proteína do músculo da mandíbula (MYH 16) parece ter sofrido uma mutação para um pseudogene nos humanos. Continua a desempenhar um papel importante no desenvolvimento e força dos músculos da mandíbula em outros primatas. É concebível que a inatividade deste gene levou a uma redução na massa do músculo da mandíbula humana. A maioria dos macacos têm relativamente mandíbulas maiores e mais fortes do que as nossas. Os crânios do homem e do macaco devem, entre outras coisas, servir como uma âncora para estes músculos da mandíbula. É possível que o desenvolvimento de mandíbulas mais fracas paradoxalmente permitiu que nossos crânios se expandissem para cima, e acomodassem nossos cérebros maiores. Isto é claramente especulação, claro, e outras mudanças genéticas seriam necessárias para ter em conta o córtex cerebral muito maior que representa um componente principal da diferença entre humanos e chimpanzés. 

Em outro exemplo, muito interesse tem recentemente rodeado o gene chamado FOXP2 por causa de seu papel potencial no desenvolvimento da linguagem. A história do FOXP2 começou com a identificação de uma única família na Inglaterra onde os membros de três gerações tinham grave dificuldade na fala. Eles lutavam para pronunciar palavras de acordo com as regras gramaticais, para entender estrutura complexa de frases, e mover os músculos de suas bocas, rostos, e caixas de voz, para articular certos sons.
Em um grande esforço de investigação genética, os membros afetados da família descobriram ter uma única letra do código de DNA com erros no gene FOXP2 no cromossomo 7. O fato de que um único gene com um sutil erro de ortografia poderia causar tais déficits de linguagem profundos, sem outras consequências óbvias, foi totalmente surpreendente. 

A surpresa rapidamente aumentou quando foi mostrado que a sequência deste mesmo gene FOXP2 manteve-se notavelmente estável em quase todos os mamíferos. A mais dramática exceção, no entanto, são os humanos onde duas alterações significativas ocorreram na região codificadora do gene, aparentemente tão recentemente quanto cem mil anos atrás. A hipótese sugerida por estes dados é que estas mudanças recentes no FOXP2 podem de alguma maneira ter contribuído para o desenvolvimento da linguagem nos seres humanos. 

Neste ponto, materialistas ateus devem estar animados. Se os humanos evoluíram estritamente por mutação e seleção natural, quem precisa de Deus para explicar-nos? A isto, eu respondo: eu preciso. A comparação das sequências do chimpanzé e do humano, interessante como é, não nos diz o que significa ser humano. Na minha opinião, a sequência de DNA sozinha, mesmo se acompanhada por um vasto tesouro de dados sobre a função biológica, nunca explicará certos atributos humanos especiais; tais como o conhecimento da Lei Moral e a busca universal por Deus. Libertar Deus do fardo de atos especiais de criação não O remove como fonte das coisas que fazem a humanidade especial, e do próprio universo. Simplesmente nos mostra algo de como Ele opera. 

Estes exemplos apresentados aqui do estudo dos genomas, além de outros que poderiam encher centenas de livros deste comprimento, fornecem o tipo de apoio molecular para a teoria da evolução que convenceu praticamente todos os biólogos que trabalham de que o quadro de variação e seleção natural de Darwin é inquestionavelmente correto. De fato, para aqueles como eu mesmo trabalhando em genética, é quase impossível imaginar correlacionar as vastas quantidades de dados surgindo dos estudos de genomas sem os fundamentos da teoria de Darwin. Como Theodosius Dobzhansky, um biólogo líder do século XX (e um devoto cristão ortodoxo oriental), disse, “nada na biologia faz sentido exceto à luz da evolução”. 

Claramente, no entanto, a evolução tem sido a fonte de grande desconforto na comunidade religiosa ao longo dos últimos 150 anos, e essa resistência não mostra sinais de diminuição. Ainda os crentes seriam bem advertidos a olhar cuidadosamente para o peso esmagador dos dados científicos apoiando esta visão do parentesco de todas as coisas vivas, incluindo nós mesmos. Dada a força da evidência, é desconcertante que tão pouco progresso na aceitação do público ocorreu nos Estados Unidos.”


"A LINGUAGEM DE DEUS"

Francis Collins, Páginas. 124-141 
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COMENTÁRIOS

PRIMEIRO

Francis Collins é um criacionista pela/por definição! No entanto, não existe criacionismo, e sim criacionismos! Seja em interpretações da cosmogonia de diferentes religiões, ou correntes de interpretações dentro da mesma. No Cristianismo, religião de Francis Collins há divisões como Criacionismo da Terra Jovem e Criacionismo da Terra Antiga, por exemplo, sendo o Criacionismo da Terra Jovem o que anda de mãos dadas com a Teoria do Designer Inteligente(Que convenhamos, "é só uma teoria"), e o Criacionismo da Terra Antiga sendo análogo ao Evolucionismo Teísta, posição esta, em que se encontra Francis Collins.

Os evolucionistas teístas podem acreditar em teorias cientificas como evolução, big bang, processo natural geológico da formação da terra... porém, uma vez que admite também a existência de Deus, passa a se tornar uma ideia filosófica, pelo fato de, a ciência se fundamentar, e funcionar, por meio de fenômenos naturais, mas fenômenos naturais seriam somente a consequência da criação de um Deus, como já mostrei em outros artigos:
  • A Ciência analisa e estuda fenômenos naturais.
  • Deus não é um fenômeno natural.
  • Portanto a ciência não pode comprovar a existência ou não de um Deus por limitações metodológicas.
Deste modo, ela pode ser considerada a posição mais racional para um religioso. Motivo:
  • O universo é criação de Deus.
  • Analisando e estudando o universo é descoberto tal fenômeno.
  • Logo, este fenômeno estudado e comprovado, é a interpretação do "como" Deus criou.
Mesmo principio que Francis Collins defende, chamado de BioLogos:
"BioLogos expressa a crença de que Deus é a fonte de toda vida, e a vida expressa a vontade de Deus"(Pág. 209)
Definição similar a encontrada na Bíblia:
"Os céus declaram a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras de suas mãos." (Salmos 19:1)

SEGUNDO

Alguns críticos do Darwinismo gostam de argumentar que não há evidência da “macroevolução” (isto é, grande alteração na espécie) no registro fóssil, apenas de “microevolução” (mudança incremental dentro de uma espécie). 

A macroevolução é bem evidenciada em registro fóssil, se não é suficiente, ganhe a eternidade e veja o processo acontecendo, só assim para ver um dinossauro "virando uma galinha", outra forma de ver a macroevolução ocorrendo, a olho nu, é no mundo micro, onde por exemplo, foi descoberta uma bactéria que digere nylon, mostrando que ela pode ter sido uma das mais recentes obras da evolução por mutação.

A descoberta das bactérias que se alimentam de nylon tem sido usada por críticos do criacionismo e do design inteligente, tanto em artigos impressos como em sites, para desafiar afirmações criacionistas. Estas bactérias podem produzir novas enzimas que permitem que elas se alimentam de subprodutos da fabricação do nylon, que não existiam na natureza antes da invenção do nylon em 1930. Os críticos do criacionismo têm argumentado que isso contradiz alegações criacionistas que nenhuma informação nova pode ser adicionada a um genoma por mutação, e que as proteínas são muito complexas para evoluir através de um processo de mutação e seleção natural. 

As bacterias “comedoras” de nylon - 1
Veja também o vídeo "É SÓ UMA TEORIA" do Nerdologia onde se faz um breve comentário sobre a bactéria:


Defensores do Design Inteligente utilizam também, excessivamente, a engenharia reversa para argumentar pró complexidade irredutível, analogamente, ou quase isso, pesquisadores das ciências naturais tem utilizando a “engenharia genética reversa” para reconstituir o material genético de uma galinha para que ele remonte o de um dinossauro.
-http://tecmundo.com.br/biologia/102253-cientista-usa-evolucao-reversa-perna-dinossauro-galinhas.htm
-https://tecmundo.com.br/amp/ciencia/13934-como-cientistas-vao-hackear-uma-galinha-para-recriar-um-dinossauro.htm
Assim como os humanos são próximos dos primatas(tanto que, somos primatas!) as galinhas também tem ancestralidade com os dinossauros. Por conta disto, os termos "Micro" e "Macroevolução", são a mesma coisa que “meio buraco”!
-http://scienceblogs.com.br/rainha/2010/05/no_no_temos_macroevoluo/

Ou seja, o processo microevolutivo sendo bem evidenciado e já aceito pelos criacionistas, também é um processo evolutivo! Macroevolução é a consequência do acumulo de microevoluções: para atravessar a rua, você da passos curtos(micro), mas em algum tempo você acaba atravessando(macro) a rua, processo denominado "especiação". Sendo assim, como muitos criacionistas, como o Michelson Borges e outros fundamentalistas, afirmam, a evolução não é uma questão de fé (http://www.universoracionalista.org/nao-a-ciencia-nao-e-baseada-em-fe/)! Negar a ciência sim é fé, uma fé cega!

 Não lembro de nenhuma época da humanidade onde a ignorância fosse melhor que o conhecimento.
Neil deGrasse Tyson 
Desde que Charles Darwin escreveu “A Origem das Espécies” se passaram 150 anos, por todos esses anos a teoria da evolução foi corroborada por evidências em artigos científicos, algo que o criacionismo da terra jovem e o design inteligente carece.

TERCEIRO (e último)

Videos complementares ao que Francis Collins escreveu, alguns deles produzidos pelo BioLogos, instituição fundado pelo próprio Collins:









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